Texto especial de natal 2020 – O mesmo natal

Oi oi! Tudo bem? Espero que sim 🙂 E então é natal amigos!! O texto acabou ficando pra segunda e não sábado, mas acho que ficou melhor assim hahaha aí já começamos a semana do natal em espírito natalino, e fica ligado que essa semana estamos cheios de conteúdo ❤ Bom, o texto dessa semana é um conto, mais especificamente um conto de natal! Pra você ler o conto já no clima, vou deixar aqui a playlist natalina Doryana!

O mesmo natal 🙂

Você sabia que a época do natal é a minha época favorita do ano? Não tem aula na escola, eu posso ficar o dia todo assistindo TV e jogando no computador. Mas a parte mais legal é a véspera de natal! Todos os anos vem um monte de gente aqui em casa pra comer muita comida, e claro, meus primos também vêm pra gente jogar vídeo game juntos. Só que esse ano as coisas estão meio estranhas… Já é dia 21 e meus pais não foram pro mercado e voltaram cheios de sacolas, a nossa geladeira não está entupida de comida nem aqui nem na China e papai ainda não limpou a churrasqueira. O que será que aconteceu? Acho que eu preciso apressar eles pra eles terem tempo de arrumar tudo.

– Mãe, você quer que eu vá no mercado com você?

– Como assim filha? Por que?

– É que você e o papai ainda não encheram a geladeira pro natal…

– Ah, entendi! Eu não tinha te contado ainda? É que…

Por que ela ficou em silêncio? Mamãe tá com uma cara estranha… Será que aconteceu alguma coisa com o natal? Isso seria terrível! Onde já se viu, arruinar o natal assim?!

– Resumindo… Esse ano a gente não vai poder receber visitas, então não precisamos de tanta comida, filha.

– Quer dizer então que o natal desse ano morreu?! Mas que tragédia mãe, a gente tem que fazer alguma coisa pra ressuscitar ele!

– HAHAHAHA calma, ninguém matou o natal Isa.

– Lógico que mataram ele, não vai ter gente em casa, não vai ter uma mesa cheiona de comida nem os primos pra jogarem comigo… Como você pode me dizer que o natal não foi assassinado?!

– Ai filha, vamos lá. O que é natal?

– É… uma festa legal que eu como muito e brinco muito…?

– Hum… também é isso, mas a festa e a comemoração é só um bônus, o verdadeiro natal é outra coisa. Você lembra da história que eu te conto sobre o natal todo ano?

– A história do menino que não conseguiu nascer no hospital?

– Hahahaha essa mesma! Então, a gente faz festa e comemora com todo mundo junto por causa dele. Mas mesmo sem festa a gente ainda pode comemorar!

– Ué, como assim? A gente nem tem bolo pra comemorar aniversário! E Jesus já não tá mais aqui na terra, Ele tá lá no céu, não tá?

– Pois é, mas o natal não é só um aniversário. O natal é uma data pra gente lembrar que o próprio Deus se fez homem pra salvar a humanidade dela mesma! Nós humanos estávamos tão perdidos e cada vez mais longe de Deus que Ele enviou o próprio Filho, que é uma parte da trindade divina, pra resgatar a gente.

– Hum… Então o natal é tipo a introdução pra páscoa?

– É… pode ser isso. Mas uma explicação mais completa é que o natal lembra a gente do melhor presente que Deus nos deu, que foi Jesus vir nos resgatar. Já a páscoa, é sobre como Jesus pagou o preço pelos nossos pecados e hoje podemos ser salvos da morte eterna.

– Agora faz sentido! O natal existe independentemente da quantidade de pessoa que estão aqui em casa. Tô aliviada que a gente não vai precisar ressuscitar o natal.

Bom, agora que eu já sei que o natal está seguro posso voltar pros meus afazeres, aquelas casas no Minecraft não vão se construir sozinhas.

Insta Conta! – O abraço perdido

Olá! Como vocês estão? Espero que bem 🙂 hoje um novo quadro estreia aqui no blog, é o Insta Conta. Explicando bem rapidinho, o Insta Conta é um conto que eu e você escrevemos juntos. Eu posto uma foto no Instagram e vocês comentam qualquer frase e as frases que tiverem sido comentadas até o horário combinado aparecem e ajudam a formar o conto que será postado aqui. Por isso, me segue lá no Insta (@fala.dory) pra comentar na próxima foto do Insta Conta e me ajudar a escrever o próximo conto 🙂 Ainda não é certeza, mas provavelmente vou postar uma foto para essa brincadeira no final de semana, fica de olho lá! Bom, tudo explicadinho, vamos ao que interessa, o conto de hoje 🙂

O abraço perdido

23 de março, São Paulo – Danielle

Não sei bem porque eu estou escrevendo esse diário, mas depois que o governo disse que a gente teria que ficar em quarentena eu pensei que talvez fosse interessante registrar o que eu tenho feito para me distrair e me desligar um pouco das notícias apocalípticas que eu tenho visto sem parar nesses últimos tempos. Bom, nesses 3 primeiros dias de quarentena eu estou dormindo bastante e jogando muito LoL. Fazia muito tempo que eu não conseguia parar pra jogar o dia todo ou ler os livros parados na minha estante.

30 de março, São Paulo – Danielle

Já fazem 10 dias que estamos em quarentena e a princípio vamos poder voltar a trabalhar na próxima semana. Eu acho que o governo vai prorrogar por mais um tempo… Apesar da quantidade de infectados por dia ter diminuído os pesquisadores estão dizendo que o pior ainda nem começou. A minha maior preocupação nos últimos dias tem sido com o Homero que está nos Estados Unidos fazendo o mestrado… Aparentemente, as pessoas não estão levando essa doença a sério. Eu falei pra ele tomar cuidado e que era pra ele voltar vivo pra casa.

5 de abril, São Paulo – Danielle

Eu já não aguento mais ficar em casa! Já arrumei tudo que eu tinha para arrumar, já escovei o gato 9 vezes e minha visão já está cansada de ficar o dia todo no computador jogando. Como parece que vai demorar pra tudo voltar ao normal eu resolvi mandar mensagem pros meus alunos de reforço escolar e ver se eles queriam ter aulas pela internet. A reserva de dinheiro está começando a diminuir e eu estou com medo de não ter mais dinheiro pra pagar o aluguel no próximo mês. Mas ainda assim temos boas notícias, o Homero parece estar se cuidando bem e por enquanto ainda tem a bolsa que financia a pesquisa dele. Parece, também, que o EUA vão tomar medidas de isolamento social (finalmente!).

13 de abril, São Paulo – Danielle

As coisas começaram a ficar mais tensas por aqui… Mas pelo menos não tão ruim quanto estão lá no Homero. Como ele está trabalhando de casa, a gente consegue se falar o tempo todo. A saudade está apertando muito mais essa semana porque era a semana que eu iria visitar ele lá na Califórnia. Planejamos esse reencontro há 3 meses… Há 3 meses ele está morando longe de mim. Há 3 meses eu crio a expectativa de finalmente poder diminuir esse aperto que dói… Dói muito. Eu já tinha me acostumado a todo dia acordar e ver aquele rosto amassado, mas aí surgiu a oportunidade única dele ir fazer o mestrado dele lá longe. O nosso acordo era que uma vez a cada semestre um veria o outro. Mas aparentemente a natureza tinha outros planos…

Mensagens entre Danielle e Homero – 20 de abril

“Hoje eu sonhei com você”

“Ontem eu sonhei que te encontrava”

“Eu te abracei?”

“Não, a gente se abraçava”

“Posso te ligar? A saudade tá começando a bater à porta”

“Bem que o abraço podia bater também né?”

(ligação atendida)

“Obrigada por esse tempo, poder ouvir a sua voz acalma o coração ❤ “

“Mas mesmo assim eu sinto falta daqueles abraços que aquecem o coração”

30 de abril, São Paulo – Danielle

Os dias estão passando, como um relógio velho na sala da minha avó. Eu consigo ouvir o tique-taquear dos dias passando. Eu e o gato temos sempre a mesma rotina. O Homero começou a ter febre… Espero que ele melhore logo.

5 de maio, São Paulo – Danielle

Ele foi internado hoje…

15 de maio, São Paulo – Danielle

Eu estou tentando me distrair. Não existe nada que eu possa fazer agora além de colocar minhas preces ao Deus que me vê.

30 de Julho, Califórnia – Homero

Eu senti a necessidade de escrever isso em algum lugar, por isso criei uma nota aleatória no celular só pra dizer que… Hoje é o dia que eu vou encontrar com ela de novo! O avião das forças armadas do Brasil está vindo neste exato momento vir me buscar. Eu quero poder ajudar a desenvolver o remédio pra todo esse caos. Eu me curei e quero que outros também possam ser curados e ela vai estar me esperando.

O avião balançou forte, finalmente tinham chegado em solo brasileiro. O coração disparou, eu queria correr até o avião, mas meus pensamentos me barram “Será que eu já posso ir até lá?”. Quando as portas do avião abriram, minhas pernas foram eletrocutadas pela adrenalina e quando eu fui dar conta já estava na escada.

Eu vi os olhos azuis, e ela viu os meus olhos negros.

Eu senti os braços finos dela me apertarem, e ela sentiu as minhas lágrias escorrerem para as bochechas dela.

Os seus dedos se afogavam nas minhas camadas de roupas. E o meu perfume invadia aqueles pulmões delicados.

O calor do corpo dela aquecia o meu corpo gelado. A minha serenidade acalmava os pensamentos que a afogavam.

A adrenalina corria de mim pra ela e dela para mim. As batidas aceleradas dos nossos corações pareciam sincronizadas.

Já não era mais eu e ela, éramos nós.

Esse é um conto de esperança, logo tudo isso vai passar e vamos poder abraçar aqueles que amamos. Tenhamos fé, paciência e muito amor.

Um conto de natal – Natal 2019

Era fim de tarde do dia 23 de dezembro, e o pôr do sol estava belo, com nuvens coloridas e um céu majestoso. Maria estava finalmente entrando de recesso no trabalho. Ela trabalha num prédio alto e bonito que fica na Avenida Paulista. Mas não se engane não, ela não tem um cargo chique, na verdade, é apenas uma, das várias, estagiárias de lá. Apesar da falta de reconhecimento do seu trabalho na empresa de criação de conteúdo, Maria se sentia útil, sentia que estava aos poucos chegando onde sempre quis. Seu sonho era ser uma animadora que emocionasse as pessoas. Desde pequena ela sempre gostou de contar histórias e desenhar no papel para fazer as figuras se movimentarem com o rápido folhear das páginas.

Faltavam 2 dias para o natal e como todo ano, Maria já havia comprado as passagens na rodoviária para ir para o interior de São Paulo. Eram 6 horas até a sua cidade natal, mas valeria a pena! Finalmente poderia reencontrar a família, passear entre as plantações e acariciar os cavalos. Ela mal podia conter a animação.

Depois de sobreviver ao transporte público, Maria entrou em casa só pra pegar suas malas e finalmente poder ir para os braços de sua família! Aquele prédio bem antigo na região do Paraíso (ela nunca soube como conseguiu aquele apartamento a uma distância razoável do trabalho) era muito bom, mas não era seu lar. Com apenas uma mochila e uma mala de rodinhas, Maria saiu de casa radiante como as nuvens que refletiam o pôr do sol. Entrou no metrô e a cada estação que passava mais a sua alegria ia crescendo dentro dela. Quando finalmente chegou à estação Portuguesa-Tietê um sorriso escapou pelas laterais de seus lábios. “Finalmente! Só mais um pouco e já vou estar em casa de novo!”. Ela desceu até a plataforma de embarque e sentou-se encostada na parede para esperar a hora de entrar no ônibus. Como de costume, tirou seu caderninho e estojo da mochila e começou a rabiscar algumas coisas.

“Meu Deus! Sinto muito por isso moça, minha filha não fez por mal!”. O chão e a mochila de Maria estavam ensopados. Mas ela tranquilizou a mãe e a menininha com o copo vazio de refrigerante. “Não se preocupa não, já tô tão acostumada com as chuvas de São Paulo que eu só compro mochilas impermeáveis. Então tá tudo bem! Como você tá mocinha? Se machucou? Foi um tombo e tanto hein?”. A garotinha de vestido florido ficou sem graça e se escondeu atrás da mãe. Enquanto a senhora convencia sua filha a se desculpar com Maria, a porta para embarque se abriu. Então a própria Maria foi até a criança, bem devagarinho pra não assustá-la e bagunçou os cabelos dela como uma forma de mostrar que estava tudo bem.

Como a viagem seria longa, Maria tirou seu travesseiro em “U” para dormir.

O ônibus partiu.

O ônibus parou para seu intervalo rotineiro. Muitas pessoas desceram. Maria continuou a dormir.

Poucas horas se passaram e uma forte chuva começou a cair.

O ônibus fez outra parada. Algumas pessoas desceram. Maria continuou dormindo.

A chuva continuava a cair forte naquela madrugada.

Novamente o ônibus fez uma parada. A menininha de vestido florido pediu para sair do ônibus, sua mãe não queria, entretanto não conseguiu conter a filha e as duas saíram. Por algum motivo Maria acordou. Ela decidiu, então, que iria comer alguma coisa. Como de costume, colocou sua mochila nas costas e saiu. Ela não gostava de deixar suas coisas sozinhas. Nunca se sabe.

Dentro do ponto de parada, Maria pediu apenas um chocolate quente. Ela só pensava em voltar a dormir. Depois de ter tomado todo o chocolate, foi até o caixa para pagar, mas viu algo que não queria ter visto. A garotinha do vestido florido estava lá fora na chuva e perigosamente perto do rio! “O que ela está fazendo?!”. E então Maria percebeu que um filhote de gatinho estava na lá também, quase sendo levado. Maria nem pegou seu troco, saiu correndo para pegar a garotinha.

“Menina! Volta aqui, aí é muito perigoso!” Gritava Maria enquanto ia em direção daquela criança ensopada. Quando faltava apenas um passo para alcançá-la a garotinha caiu no rio com o gatinho em seus braços. Maria não pensou duas vezes e pulou para dentro do rio também. A correnteza estava muito forte, mas depois de algumas tentativas, Maria finalmente conseguiu alcançar a menina e trazê-la para a margem. E depois carregá-la para dentro de uma pequena caverna.

“Você está bem? Se machucou?”

“Tô sim tia… Desculpa…”

“Aiaiai… Você não sabe como é perigoso ficar perto de rio em chuva desse tipo?”

“Eu pensei que eu conseguia salvar ele sozinho…”

O gato estava se lambendo no colo da menininha.

Maria abriu sua mochila e tirou de lá sua toalha. “Ainda bem que essa toalha não coube na mala”, pensou ela. Depois de ambas estarem secas, Maria pegou o celular para chamar um resgate, mas como ele estava no bolso, ficou ensopado e sem utilidade. Ela olhou dentro da mochila e a única coisa “útil” que encontrou foi uma lanterna. “Melhor que nada, não é mesmo?”. Ela ligou a lanterna e iluminou aquele pequeno espaço. A menininha parecia assustada… Ela acariciava o gatinho, mas seus olhos estavam longe. Maria, então, teve uma ideia.

“Quer o ver o que eu estava fazendo quando a gente se encontrou pela primeira vez?”. Os olhos dela se voltaram para Maria com um pouco mais de brilho. A pequena garotinha se sentou mais perto para ver o que tinha naquele pequeno caderno. Maria ia e voltava com aquelas duas páginas, e a mocinha se encantou com os movimentos daquele desenho.

“Quem é esse bebê?”, ela perguntou. “Você não sabe? É o aniversariante do natal! Você já ouviu a história do menino que nasceu no meio dos animais?”. Maria então contou a ela história do nascimento de Jesus. Aos poucos as duas foram pegando no sono.

“Yasmin! Cadê você minha filha?”, “Yasmin!”, “Alguém por aí?”. As duas acordaram assustadas e saíram correndo para fora da caverna.

“Minha filha! Onde você esteve esse tempo todo? O que aconteceu que você sumiu de repente?”

Já estava amanhecendo quando todos voltaram para o ônibus. Yasmin abraçou Maria. “Obrigada por contar a história do natal, tia!”, ela entrou no ônibus mais feliz dessa vez, Jesus havia nascido dentro do coração dela. Maria se espreguiçou e subiu ônibus adentro também. Quando ela estava ao lado da sua poltrona quando percebeu que a sua mochila estava fazendo um barulho estranho. O gatinho! Ele tinha se escondido na mochila que estava seca e quentinha. Maria cogitou em soltá-lo perto da mata, mas percebeu que ela já havia sido adotada por esse gato. Então o escondeu de novo na mochila para que ninguém o tirasse dela e se sentou com a mochila no colo. Finalmente pôde dormir de novo.

Quando Maria abriu os olhos, já estava em sua cidade natal. Ela desceu do ônibus, pegou sua mala. “Nada de Yasmin por perto, ela deve ter descido em algum ponto enquanto eu dormia” E se sentou nos bancos da roviária para esperar pelo pai que viria buscá-la. Enquanto ele não vinha, ficou olhando para seu novo companheiro.

“Joy (alegria), é assim que eu vou te chamar.”

Desafio de férias – verão 2019 – escrita

Naquela manhã de verão, Natsumi acordava meio indisposta… O calor daquele dia estava insuportável desde o nascer do Sol. Tinha que se levantar, antes que sua supervisora viesse gritar com ela. Ela se sentou, ergueu a cabeça com desleixo e finalmente abriu a janela. Pelo menos tenho a sorte de ter um quarto só pra mim. Pensou ela. Um vento forte e morno invadiu seu quarto, e a acordou de vez. Só mais um pouco e as coisas vão acabar, nada mais de corpos, nada mais de correria pelos corredores, nada mais de estar longe dele… Este último pensamento a colocou em alerta, precisava terminar todos os seus afazeres o mais rápido possível, a noite precisava estar livre para vê-lo.
Vestida para iniciar os trabalhos, Natsumi passou rapidamente pela copa, lotada como sempre, para pegar um pequeno bolinho de arroz e andou apressada em direção à UTI. Mais um dia de trabalho… Espero que pelo menos hoje ninguém morra, hoje tem que ser um dia diferente dos outros! Colocando seus equipamentos de segurança, luvas, touca e etc, entrou e andou entre os leitos. Apesar de ter aprendido às pressas os afazeres de uma enfermeira, Natsumi aprendeu bem como se fechava um corte, como se administrava os medicamentos, como se batalhava para não deixar mais um soldado perecer. Em questão de alguns meses, a guerra tinha conseguido mudar completamente sua vida. Ela poderia ter uma vida falsamente normal se tivesse decidido ir com os outros moradores, poderia ter fugido para uma cidade que não era militarizada. No entanto ela decidiu permanecer, era injusto que homens tão nobres morressem. Natsumi não sabia muito bem o que era uma guerra, mas tinha certeza que não queria ficar parada sabendo que existiam centenas de homens feridos necessitando de ajuda. Foi por isso que decidiu ser uma enfermeira voluntária. As enfermeiras mais velhas a desprezavam, olhavam pra ela como se fosse uma pirralha. Mas a senhora Tanaka, a enfermeira-chefe e a mais experiente da equipe gostava dela, e a ensinou tudo o que sabia sobre primeiros socorros e um pouco mais sobre enfermagem.
Os minutos e as horas se misturavam em meio a correria cotidiana. Não se sabia que horas eram, apenas que a cada momento mais e mais homens feridos eram trazidos à UTI. Natsumi trabalhou arduamente por tempos intermináveis, até seu corpo a alertar de que era hora de parar. Suas mãos tremiam anêmicas e fracas. Droga, esqueci de almoçar de novo! Por ser um “acidente” comum, quando foi comunicar a sua supervisora que precisava de uma pausa esta nem sequer olhou em seus olhos, apenas acenou com as mãos de forma fria.
Caminhando pelos corredores do hospital, Natsumi observa frustrada os rostos de mães e esposas em luto. Sentiu seus olhos marejarem, então fechou-os com força e apertou as passadas.
Finalmente chegara a copa. Ela pegou um pequeno copo descartável e tomou chá quente. O líquido flamejante relaxava seus músculos tensos, ela sentia seus pensamentos irem um a um ao vácuo. Quando se lembrou! Que horas são? Por sorte ainda eram 23:45. Tinha 15 minutos até o horário de seu encontro noturno.
Por sorte não tinha perdido a única chance naquele de mês de encontrá-lo.
Ela passou rapidamente em seu quarto, deu uma pequena escovada nos cabelos, e pulou as janelas que abrira ao amanhecer. Estava um pouco apreensiva, mas sabia que ficaria tudo bem no final.
Quando seu relógio de pulso marcou 00 horas, finalmente o viu. Emocionada, correu para abraçá-lo. Faziam semanas que não o via (antes da guerra começar o via sempre no colégio, mesmo que fosse 2 anos mais velho). Sem dizer uma palavra, os dois olhos se encontraram naquela madrugada abafada e de céu limpos. Como ainda era início de agosto, ainda era possível ver o rio de estrelas (aquele do conto da princesa, o qual é celebrado no festival de tanabata. A filha do senhor dos céus que deixou o pai tão furioso que seu castigo veio em forma de rio. Um rio que o pai criou para separar o céu em duas parte, a parte em que ela vivia e a outra, onde seu amado vivia. Mas tamanha era a sua tristeza que o pai concedeu um dia de folga no ano para que ela pudesse encontrar com o seu amor por uma ponte). Era como Natsumi e Yuki. Um jovem e uma donzela, que por questões da vida foram separados mas que tinham a permissão de se encontrarem de tempos em tempos. Mas no caso deles o motivo era menos “alto”. Natsumi era uma enfermeira e Yuki um soldado de baixo escalão. Nenhum dos dois tinha uma “folga”. Mas hoje era especial, era o aniversário de Natsumi. O abraço forte que Yuki deu a fez chorar. Lágrimas se atropelavam em seus pequenos olhos. Com o coração apertado, o jovem limpou o rosto da amada e lhe entregou um pequeno lenço com a constelação favorita dos dois. O coração de Natsumi se aqueceu com o presente amável e sorriu, como havia meses não sorria. Ele amava o sorriso dela. E sem que nenhum dos dois percebesse, os lábios se tocaram, os dois mundos que foram separados pela guerra se encontraram naquele momentos sublime. Nenhum deles sentira nada igual antes, e nenhum deles queria que esse momento acabasse…
E num instante tudo se foi ao som ensurdecedor das sirenes. Aquele era o alerta de ataques aéreos. Os dois pares de olhos que antes estavam sequestrados pela paixão agora tinham outra expressão. Com uma despedida apressada cada um foi para um lado. Mas antes que a vista ocultasse o contato visual entre eles, ambos moveram seus lábios para um último juramento.
“Vamos sair juntos dessa guerra”
Esta era a frase que Yuki dissera para Natsumi quando ele fora chamado para servir. E é a frase com a qual eles se despedem desde então.
A madrugada inteira foi de tensão, todo o corpo médico estava agitado transportando os feridos para abrigos. Natsumi não conseguia conter o aperto que sentia no coração. Queria poder estar nos braços de Yuki.
Um pouco antes das 8 horas, Yuki andava apressado pelo acampamento quando ouve um dos seus superiores dizer que provavelmente o ataque seria ali perto e tinha medo de que o hospital fosse atingido. Quando ouviu isso, Yuki correu como nunca antes em direção ao quarto de Natsumi. Para seu desespero ela não estava lá. (se passaram 5 minutos desde o início daquela busca) Ele não poderia ser visto, então tangenciou todo o edifício e nada de Natsumi… (mais 5 minutos se passaram desde o início daquela busca) Já desacreditado, Yuki não conseguia mais pensar em como encontrar a sua pequena. E no auge de seu desespero viu que Natsumi entrara em seu próprio quarto (ela havia derrubado o presente no quarto no meio daquela confusão). Com o coração desesperado Yuki invade o quarto e implora para que ela fuja com ele para um abrigo. Mas ela se nega. Não posso deixá-los aqui Yuki! Eu não fugi antes e não fugirei agora! Os olhos em lágrimas dos dois confirmavam o que havia em seus corações. Yuki abraçou forte sua amada. (passaram se os 5 últimos minutos de sua busca).
A bomba foi lançada e um clarão inundou a cidade de Hiroshima naquele dia 6 de agosto de 1945.

Escrita 1/30 – Desafio de férias, Verão 2019

Olá amigos 🙂 como vocês estão? Espero que bem, hoje vamos estrear aqui no blog o desafio de escrita, que foi votado lá no Facebook (se você não sabe do que eu estou falando, passa nesse texto que eu explico TUDO!) E o desafio de hoje é “Descrever um lugar“. Sendo bem sincera, essa descrição já estava na minha mente há alguns tempos, mas eu não sabia bem como aproveitá-la, loooogo, o desafio foi um ótimo estímulo e lugar pra eu colocar em prática essa ideia haha. Dependendo do desempenho dessas publicações, eu posso ver de colocar mais vezes pequenos contos no blog ❤

Recado dado, vamos ao texto 🙂


Descreva um lugar

Garoviava. A corrida das gotículas naquele pequeno “espaço-tempo” de luz. A noite estava silenciosa agora, apesar de nas últimas horas ter sido a noite mais barulhenta do mês. O ponto de ônibus, que durante todos os outros dias da semana era tão comum e ordinário, se fez uma fotografia 360º.

Talvez fosse o frio causado pela chuva, mas a névoa parecia mais densa, e a luz parecia ganhar massa. Talvez, pelo mesmo frio, os bancos velhos e com a pintura lascada estavam transpirando. Um suor frio e indiferente. Que parecia caçoar dessa gente.

Vários seres humanos se aglomeravam inutilmente debaixo do telhado capenga. A ilusão de se molharem menos os movia sempre para o centro. As vozes de cada um desses seres preenchia as lacunas geladas, que a névoa criava. Outra coisa que precisava ser preenchida naquele momento no entanto era a esperança do ônibus chegar.


E aí, o que achou? Comenta aqui pra eu poder ter uma noção do que você tem achado desses desafios de férias 🙂

 

Em amor, Dory ❤

A culpa do omisso

Olá amados habitantes marinhos! Como passaram as últimas duas semanas? Bom, o texto de hoje vai ser um pouco diferente 😉 é uma crônica! Já faz tempo que escrevi, e Deus me pediu para compartilhar com vocês, o nome é “A culpa do omisso”.

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“Um ônibus, todos os dias, o mesmo ônibus… O mesmo caminho de sempre… E igualmente as mesmas desculpas. E lá estava eu naquela manhã de segunda, meio amassada no meio de todas aquelas pessoas, me segurando na barra superior do veículo para não cair. Avistei um banco que fora recentemente deixado e me assentei nele. Encostei minha cabeça na janela e adormeci por 5 minutos. Então acordei com uma discussão entre duas passageiras. Uma era jovem, aparentava ter 23 anos. Já a outra tinha mais ou menos 40 anos. A mais nova estava num dos bancos na minha frente, que eram preferenciais. E estava sendo acusada de ser inconveniente, preguiçosa e outras coisas por não ceder o lugar… Foi então que eu percebi uma terceira personagem, um senhor de idade que expressava cansaço e por isso nem participava da discussão, ele apenas observava tristonho. Pelo jeito, não estava gostando de ser o assunto da discussão. Nunca disse que gostaria de sentar-se, e muito menos achava que a moça mais jovem devesse ceder o lugar. Na mente daquele senhor, creio eu, ele desejava apenas uma manhã mais calma.. Como não tinha nenhuma ligação com a história, resolvi ignorar tudo e observar a paisagem pela janela ao meu lado. As mulheres só pararam com a gritaria quando a mulher mais velha desceu do ônibus. Logo em seguida saí também.

Caminhei por aproximadamente 5 minutos até a escola. No portão, um homem de terno, com uma postura impecável, observava os alunos que entravam e pedia seus cartões escolares. Não o cumprimentei, apenas lhe mostrei friamente o papel plastificado enquanto caminhava. Entrei no prédio, subi as escadas e fui até o meu lugar de costume.

O dia se passou normalmente, assisti todas as aulas, anotei tudo o que era preciso e ao término das atividades, me despedi de meus colegas de classe. E então a jornada de volta, a mesma da ida, se iniciava. Fiquei pouco tempo no ponto de ônibus, pois incomumente ele chegou rapidamente. Entrei, e me direcionei até ao assento livre mais próximo. Pouco antes de chegar ao ponto perto de casa, passei pela catraca, nem olhei para o cobrador e já fui apertar o botão. Desci do ônibus, e fui em direção à rua para atravessá-la. Ao meu lado havia uma criança querendo atravessar, tentei não dar muita atenção à ela, mas não pude ignorar. Fui em sua direção e perguntei se precisava de ajuda, ela assentiu. Peguei em sua mão e atravessamos juntas. Quando chegamos do outro lado, a pequena me presenteou com um largo e belo sorriso e saiu andando. Não disse nenhuma palavra, mas conseguiu me ensinar muito. Quantos atos eu havia deixado de praticar durante aquele mesmo dia por falta de sensibilidade? Quantas pessoas eu havia deixado de impactar? Quantas vidas eu me recusei a doar um pouco mais de alegria, ou então, de bondade?

Ao chegar em casa, logo peguei um papel e uma caneta. Escrevi nele a minha lição do dia, pois não queria esquecê-la. Não queria mais perder a chance de transmitir a alegria que tenho em Cristo. Não queria mais me esquecer que a omissão é um erro, um pecado como qualquer outro que precisa ser tratado em mim.

E então naquela noite, dormi feliz, pensando no perdão que o Pai me concedeu, e imaginando as futuras vidas que eu poderia ter a chance de impactar… Uma pequena participação nas vidas que cruzassem com a minha.”

 

Bora conversar sobre isso? O que acharam de uma crônica? Tell me!!

 

Em amor, Dory ❤

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